O texto é intrigante por todo seu corpo, mas quando é falado em como o ser humano é invertido à função do objeto chama mais a atenção. No texto é falado que a maior parte das pessoas quando relaciona objeto e ser humano pensa que o homem dá aos objetos suas funções, o que não é um pensamento totalmente errado, mas é muito mais profundo do que isso. O texto nos coloca a pensar que a humanidade só existe à parti da função que os objetos dão à nós, nisso surge um pensamento paradoxal. São os seres humanos que dão função aos objetos ou eles que dão função social ao indivíduo? O ser humano realmente tem autonomia sobre as coisas que ele produz?
Segundo Flusser: "Nós os objetos, [...] temos o direito, inscrito no nosso estar-no-mundo de animar a humanidade para que esta funcione em função dos nossos jogos e destarte alcance a felicidade [...]." A partir disso podemos relacionar os objetos com a construção de uma sociedade. Os objetos fazem parte do corpo social, alimentam a cultura pré-estabelecida pelo ser humano e participa do seu dia a dia. Não podemos enxergá-los como meras ferramentas de produção, eles são acima de tudo, a intenção do ser humano de dar sentido à matéria.
Por outro lado, o ser humano não se limita a ser sujeito, somos objetos nos espaços que frequentamos e vivemos, somos objetos em função de objetos que projetamos. E assim, os objetos também não servem apenas à sua função, acabam também servindo como sujeitos, condicionando nossas decisões e modos de pensar à partir de sua complexidade. A relação homem-objeto então passa a ser vista de uma nova maneira, no qual o ser humano deve animar os instrumentos de forma a não ser dominado por eles.
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