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-Movimento cinético e obra não-objeto-

 Relação entre os Trepantes de Lygia Clark e Dream Beasts - obra de Theo Jansen (A arte em movimento)

A arte cinética não possui as mesmas características da teoria de Gullar, nesse movimento artístico o principal objetivo era a movimentação ou a falsa sensação de movimento das obras de arte. As obras de Jansen podem ser conectadas ao pensamento da teoria do não por meio de como elas são apresentadas ao público, nos dois movimentos artísticos os produtores do espetáculo buscavam que suas obras tivessem interação direta com o

público, como ele se sentia era parte principal como a obra era vista e ambas não nasciam

com função social, o pensamento era que a obra interagisse com o ambiente e assim seu posteriormente seria criado.

Nas obras de Jansen, apesar de ser observado o objetivo prévio de criar peças que liguem

as ciências humanas e exatas, as criaturas tendem a ter a funcionalidade de brincar com a

percepção humana, as bestas são obras que funcionam de acordo com a movimentação

das marés e a cada mudança do espaço ocorre uma mudança em sua existência também,

assim como nas obras “não-objetos”.

Ambas as obras também dialogam com o espaço ao redor, demonstrando uma

funcionalidade orgânica com o ambiente mesmo com suas aparências singulares que se

destacam.




As obras de Lygia Clark nos mostra sua intenção de se desprender dos conceitos

convencionais de arte, ao expor suas obras ela utiliza a própria peça como pedestal, ela se

desprende do pensamento que arte deve ser apenas apreciada. Suas obras são de certa

forma feitas para a interação física com os espectadores, o que a difere de artes

renascentistas, por exemplo, que nos dias atuais estão sendo apenas objetos de apreciação

instaladas em museus visuais.




Poema enterrado - Ferreira Gullar

Nessa obra é abordado um poema de forma totalmente diferente do convencional, nela

existe uma instalação subterrânea que para acessá-la é necessário descer uma escada. Ao

entrar na sala é possível ver apenas um cubo vermelho, mas que está sobrepondo outros

dois, um verde e um branco com a frase “Rejuvenesça”

. Ao interpretar a obra consegui

identificar a vontade do autor de querer nos desprender da ideia de que a obra necessita

seguir um padrão físico e espacial enraizado nas nossas mentes, a estrutura nos propõe

que para entender as funções é necessário se aprofundar, para logo em seguida analisar

seu pensamento sobre a sequência natural (ou a dada pelo ser humano) das coisas.

Essa obra pode ser considerada um não objeto por seu motivo existencial, não é apenas

algo ornamentado, são objetos dispostos de forma a provocar um pensamento crítico à quem interage com a obra.



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